07 mar Trekking na areia, carona no asfalto
Caía a noite e com ela o vento beira-mar ganhava força e sinfonia. Eu estava cansado, sujo, suado e cheio de areia. Os pés queimados doíam até o osso. Resolvi dormir para quem sabe acordar melhor no dia seguinte. Encontrei uma clareira mato adentro e montei meu acampamento selvagem. Sem comida e água, a janta acabou sendo dois cocos verdes mesmo, dieta do dia. Analisando meus mapas, faltava poucos quilômetros para encontrar algum sinal de civilização.

Pescadores próximo ao rio Jiquiriça
Acordei cedo, guardei a barraca e parti para o 2º dia de perrengue. O Sol baiano já fazia arder minhas costas às 6h00 da manhã. Três horas e muitas curvas depois avistei o quiosque Sossego do Pirata. Apesar de fechado, uma sensação de felicidade tomou conta de mim, como se tivesse achado um tesouro perdido no meio do nada, vigiado pelo Sr. Léo, dono do quiosque arrendado, que gentilmente descolou para mim um pão seco com café frio. Adiante, ficava a foz do Rio Jiquiriça com sua correnteza traiçoeira, que me obrigou a pedir ajuda (com muita sorte) para um barqueiro do outro lado do rio.
A paisagem continuava inóspita, mas já era possível encontrar pescadores na praia. Depois de 25 km, minha aventura ultrapassava os limites do meu físico. A cada passo, um gemido, uma exclamação. No horizonte, estava o balneário de Guaibim. A insensatez parecia chegar ao fim. Atravessei o rio Guainbizinho e entrei numa pousada logo em frente. Um casal de turistas que estava no estabelecimento, impressionados com minha cruzada épica, convidou-me para sentar a mesa e tomar uma cerveja. Logo apareceram a dona da pousada, um vendedor de bebidas, outros hóspedes, todos curiosos para saber um pouco da minha história. Um povo muito receptivo, que aproveitei para descolar uma carona até o trevo que dá acesso a Ponta do Curral, saída de embarcações para Morro de São Paulo.

Carona em Guaibim - BA
Junto com um nativo, lá fomos nós na caçamba da caminhonete do vendedor José, que antes de passar pelo trevo, iria fazer alguns pedidos no centro de Guaibim. Enquanto esperava tomando um sorvete debaixo da sombra, seu José aparece gritando. “Eii, aquele ônibus vai pra Pontal, peça pra ele parar”. Falei que não andava de ônibus, pois minha viagem era de carona ou a pé. Seu José me encarou fixamente nos olhos, desentendido:
- Porque você está fazendo isso?
- Faço isso para mostrar o sentido da vida para quem não compreende o significado de si mesmo. Pegando ônibus, faço negócio. Pegando carona, faço um amigo. Vai me dar carona ou não?
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5 comentários

Cleber comentou:
22nd março, 2009 at 11:43
Rapá…vi ai sua caminhada, mais imagine a minha…
Vc conhece bem, Pipa e baia formosa/RN – da 22km.
FIz esta caminhada, de pipa a baía formosa, em 10horas, com o mesmo peso de mochila, nos perdemos no meio da mata, tive que beber água de coco, mais envelhecida, loucura….hoje falo que 20min nã é nada, mais a experiência é única. abraçois!
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Jeferson Resposta:
março 28th, 2009 às 11:54
Que legal Cleber.. se tiver fotos da caminhada, passe o link pra gente! Abs..
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Pedro Resposta:
fevereiro 12th, 2011 às 13:38
Cleber, pretendo fazer essa caminhada próxima semana (Baia Formosa – Pipa). Você comentou que se perdeu na mata. Você não conseguiu ir todo o percurso pela praia? Valeu
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Pedro Resposta:
fevereiro 12th, 2011 às 13:40
Cleber, pretendo fazer essa caminhada próxima semana (Baia Formosa – Pipa). Você comentou que se perdeu na mata. Você não conseguiu ir todo o percurso pela praia? Valeu
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Cati comentou:
3rd abril, 2009 at 17:26
“Pegando ônibus, faço negócio. Pegando carona, faço um amigo. Vai me dar carona ou não?”
essa frase é muito “Jeferson”! hahaha
legal o site novo, mas senti falta do fusquinha preto e branco!
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