09 jan Reveillon em Pouso da Cajaíba

Pouso da Cajaíba
“Olha lá os urubus”, berra um cidadão chapado na proa. Na barca pra Cajaíba, os efeitos da maresia alteravam expressões e sentidos. Nosso comandante, ex-viciado, sentia o cheiro do passado no ar. Agora, era o álcool que lhe fazia companhia. Abaixo das gaivotas, e não urubus, golfinhos convidavam-nos para um mergulho no mar transparente. Um show de barrigadas. E quem disse que subir no barco era fácil?
Chegar em Pouso da Cajaíba é como entrar num paraíso remoto. Longe de estradas, automóveis, televisão e Internet, nem a luz de fato existia por lá. A comunidade faz questão de se virar com placas de energia solar e geradores a óleo. Toda manhã encostava um navio pirata, com gelo contrabandeado de Paraty, vendido a preço de ouro. O valor era repassado na latinha de cerveja, que não saia por menos de R$ 3,00. A novidade desse ano era o açaí, feito num liquidificador engenhoso movido a manivela.
A região da baia da Cajaíba, pertence à área de proteção ambiental do Cairuçu e apresenta uma magnífica beleza natural com inúmeras praias desertas ou pouco habitadas, separadas por montanhas cobertas pela Mata Atlântica. Até pela proximidade geográfica, há uma semelhança muito grande com as praias da Ilha Grande, mas sem a devastação imobiliária e invasão de forasteiros que atualmente imperam na ilha. Por enquanto, a praia de Pouso continua sendo uma típica comunidade caiçara, abrigo seguro de barqueiros que saem em alto mar e dos visitantes que não suportam a babilônia das grandes cidades.
O que ninguém esperava neste fim de ano era uma intensa chuva que começou dia 29 e se estendeu até dia 01 a tarde. A avalanche de água transformou trilhas em rios. O camping onde eu estava ficou submerso. Minha barraca agüentou até dia 31, depois pediu arrego. Hora de interditar o cafofo e gritar “ninguém dorme”. No reveillon concentrado pelos bares da praia, sambão, cerveja, espumante e… malibu? Cortesia da paulista Ana Paula, que me ofereceu carona até Sampa (ok, eu me auto-convidei).
Ao amanhecer, “gameover” para muita gente. Quem queria ir embora se assustava com os boatos sobre as tragédias e estragos da chuva. Para os que resistiram, o Sol voltou a brilhar como se tivesse apagado a meses. Mais uma vez a natureza mostrou quem que manda no mundo dos homens. Feliz 2010 para todos.
Dicas de pousadas, hotéis, imóveis e pacotes:
4 comentários










Charles comentou:
15th janeiro, 2010 at 11:03
Olá, Jeferson. Parabéns pelo blog e pela iniciativa da carona.
Tem como você me passar mais informação sobre o Pouso da Cajaíba? Estou planejando uma viagem para Paraty e queria acampar lá. Não achei quase nada na Internet (felizmente, para a preservação do lugar).
Só encontrei alguns telefones de moradores que alugam a casa, mas queria é montar barraca.
Como você chegou lá e como acampou? Teve que pagar? Levou tudo o que ia comer ou dá pra comprar alguma coisa lá?
Grato
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Jeferson comentou:
15th janeiro, 2010 at 17:16
Olá Charles!
Conheço dois campings em Pouso: Trilha do peixe (mais caro) e do seu Lorival (15 pila no verão).
Pra chegar lá, existem tres maneiras: Barco por Paraty (30 pila / 2h), Paraty-Mirim (20 pila / 1h15) ou por trilha pela praia do Sono (8h)
Em pouso existe uma padaria com algumas coisas pra comprar. O lugar tem bares e restaurantes. Nao é preciso levar comida, a nao ser q queira economizar.
Qualquer dúvida, só dar um toque! abs
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Charles Resposta:
janeiro 16th, 2010 às 16:52
Valeu pelas informações Jeferson!
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Fernando Oliveira comentou:
21st janeiro, 2010 at 15:29
Gostei muito da temática do site!
Minha vontade mesmo é cair na estrada e “desbravar” o mundo.
E… Meu Deus! Que lugar é esse, o paraíso?
Abraços!
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