30 jan Chapada Diamantina – Lençóis e o Vale do Capão

Casario colonial de Lençóis
Caro leitor, agora que você já conheceu um pouquinho mais sobre os vilarejos da Chapada Diamantina (Rio de Contas, Ibicoara, Mucugê, Igatu), creio que está preparado para continuar essa incrível viagem pelo coração da Bahia sem medo de ser enganado ou de gastar uma grana preta com passeios enlatados na cidade de Lençóis. Se estou certo, vamos nessa!
A “capital” da Chapada oferece ao visitante uma boa infra-estrutura de pousadas, restaurantes, agências de turismo e aventura, mas também não abandona seu passado. Os principais casarões foram reformados com cuidado e hoje abrigam grande quantidade de lojas, botequins e ateliês. Em meio a sua arquitetura colonial preservada, não é difícil imaginar os donos de garimpo de antigamente, com seus ternos brancos circulando pelas ruas estreitas em frente as casas simples e coloridas.

Galerinha em cima do Morro do Pai Inácio
Esse encantamento da cidade, aliada as belezas naturais da região, provocaram a multiplicação dos visitantes sem um controle adequado (principalmente feriados e épocas de temporada) congestionando os passeios mais próximos do centro como o Ribeirão do Meio, a Cachoeirinha ou o Sossego. Outras atrações como Poço do Diabo, Morro do Pai Inácio, Gruta da Lapa Doce e Pratinha também sofrem com o excesso de turistas, pois são oferecidos em pacotes de um dia por várias agências. O pacotão sai em média 50 reais e é uma opção econômica para o viajante sem transporte próprio.
Quem gosta de esportes radicais e possui uma verba extra para torrar, Lençóis oferece rapel e tirolesa no Poço do Diabo, bungee jump na Gruta do Lapão, canoagem no Marimbus (Pantanal da Chapada), bikecross até o Morro do Pai Inácio e diversos outros esportes bacanas. Mas a atividade mais procurada pelos viajantes mochileiros é o trekking!

Cânion da cachoeira da Fumaça
Um dos trekkings mais famosos do Brasil é a trilha da cachoeira da Fumaça por baixo. São três dias de caminhada forte (o último é o mais desgastante por causa da íngreme subida do cânion), sendo necessária a companhia de um guia. A recompensa para quem atinge o topo da cachoeira é um cenário deslumbrante. A água do pequeno riacho que nasce em cima do platô cai de uma altura imponente, se dissipando com o vento numa fina névoa que desaparece bem antes de alcançar o chão, 340 metros abaixo.
Próximo à cachoeira da Fumaça, descendo o outro lado do morro, fica o povoado de Caeté Açu, mais conhecido como Vale do Capão. A primeira impressão que se tem do Capão é a de um lugar saído dos contos de fadas, onde duendes e gnomos se misturam a privilegiados mortais em busca do equilíbrio com a natureza. A diferença com outros locais da Chapada está no conceito desenvolvido há mais de duas décadas pelas comunidades alternativas que se instalaram no Capão em busca de uma vida mais natural e focada na espiritualidade.

Aulas de circo no vale do Capão
Uma pena que boa parte dos mochileiros que chegam no Capão mal visitam o vilarejo, pois esses estão mais interessados em fazer a travessia do Vale do Paty. Quem tiver a oportunidade de se hospedar no Capão, vai conhecer pessoas de diferentes partes do mundo reunidas em torno de um estilo de vida voltado ao desenvolvimento humano e ao respeito à natureza. Atividades como circo, dança, teatro, banhos nus, cultivo de ervas medicinais e aquele friozinho à noite, fazem do Capão e da região da Chapada Diamantina um dos destinos turísticos mais incríveis do país!









