22 nov Chapada Diamantina – Ibicoara

Chegando na região de Ibicoara
Um dos grandes problemas para quem quiser conhecer a Chapada é a sua dificuldade de transporte entre as pequenas cidades. Quem vai de carro próprio se aborrece com as péssimas condições das estradas, bombardeadas por buracos ou sem asfalto. Já quem chega de ônibus, deve ter paciência e tempo de sobra para esperar as linhas que vêm de muito longe e nem sempre diariamente. Para o viajante mais aventureiro, a melhor opção continua sendo, é claro, a carona!
Entre Rio de Contas e Ibicoara o cenário é típico do sertão baiano: terra seca e pedregosa, pequenos arbustos retorcidos, cactos, bodes e solidão. Durante minha passagem pela região, o único veículo que encontrei capaz de cruzar esse ambiente árido e hostil foi um caminhão que entregava botijões de gás a cada 15 dias pelos povoados. Além da carona, prestei ajuda ao motorista na distribuição dos botijões. Afinal, se não fosse ele, estaria ainda fritando no meio daquele deserto.

Chapadões em forma de asa de águia
Meu objetivo em Ibicoara era conhecer a badalada Cachoeira do Buracão e a selvagem Cachoeira da Fumacinha. Para chegar na primeira, é obrigatória a presença de um guia, que cobra mais ou menos 40 reais pelo grupo de até 5 pessoas. Para quem está sem locomoção, a dica é acordar cedo e esperar na Associação de Condutores algum turista motorizado aparecer. Se o carro não estiver cheio e você for uma pessoa simpática é só propor para rachar as despesas com o guia e pegar carona no passeio de terceiros.

Campo Redondo
Apesar de tantas belezas, Ibicoara ainda está despontando para o turismo. Os visitantes que chegam se contentam apenas com os passeios de bate-volta das excursões de Lençóis. Falta infra-estrutura para a cidade. Até pouco tempo Internet, por exemplo, só existia na casa do filho do prefeito, que me ajudou a descarregar umas fotos da minha câmera. Em compensação, longe dos preços turísticos, pude negociar hospedagem em um quarto privativo numa pousada simples por módicos 7 reais a diária!
O centro da cidade é contornado por imensos chapadões, formando bonitas imagens como a de uma águia com as asas abertas. Atrás das montanhas fica a região conhecida como Campo Redondo, lugar místico onde vivem diversas comunidades alternativas e ufólogos que acreditam ser local de aterrissagem de seres extraterrestres. Uma dessas comunidades é o Centro de Vivência Pequena Ashtaria que propõem programas que estimulam comportamentos positivos pregando equilíbrio, harmonia, beleza, cultura, lazer e saúde, além de uma boa cozinha lacto-vegetariana.
A região de Campo Redondo é também local de passagem para a galera que visa conhecer a Cachoeira do Buracão, uma das mais bonitas do país. É necessário percorrer uma trilha de uma hora pela margem direita do Rio Riachão até alcançar o mirante da cachoeira, que literalmente despenca a 60 metros dentro de um cânion fechado como se fosse um buraco. Para chegar ao pé da queda, o viajante precisa se pendurar nos lisos paredões ou nadar contra a correnteza nas águas geladas do cânion. Um espetáculo único, como se a natureza tivesse criado um templo só para a cachoeira.

Cachoeira do Buracão
Ofuscada pelo Buracão, Ibicoara esconde seu maior segredo, já que nem todos os guias a conhecem: a Cachoeira da Fumacinha. Entre o encontro de duas montanhas, surge um paredão de 250 metros de altura onde desembocam os três saltos da Fumacinha, sendo o último uma queda de 90 metros dentro cânion semelhante a uma caverna. Surreal!! Há duas maneiras de chegar até lá: uma é seguir de carro até o povoado de Baixão e depois encarar uma trilha pesada de 4 horas subindo o leito do rio Riachão; e outra é partindo da cidade de Mucugê, fazendo trekking pela Longa Trilha por 3 dias, atingindo no final a cachoeira por cima. Mesmo sendo uma atração pouco conhecida, é altamente recomendada a presença de um guia, principalmente na época de chuvas. Uma tromba d’água dentro do cânion da cachoeira pode ser fatal!
Dicas de pousadas, hotéis, imóveis e pacotes:
3 comentários










Pedro comentou:
24th novembro, 2009 at 14:00
Lugar perfeito.
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Chapada Diamantina – Lençóis e o Vale do Capão - Dicas de pousadas, hotéis, imóveis e pacotes comentou:
30th janeiro, 2010 at 17:18
[...] que você já conheceu um pouquinho mais sobre os vilarejos da Chapada Diamantina (Rio de Contas, Ibicoara, Mucugê, Igatu), creio que está preparado para continuar essa incrível viagem pelo coração da [...]
Laissa Medrado comentou:
13th maio, 2010 at 18:34
Eu e duas amigas vamos para Mucugê-Ba na Chapada Diamantina e queremos fazer turismo ecologico. Queriamos encontrar pessoas que estejam dispostas a fazer trilhas, praticar esportes radicais e tirar muitas fotos.
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