15 nov Canyon Guartelá

Vista do canyon
Interior do Paraná, século 18. “Guarda-te lá que eu aqui bem fico”. Essa foi a suposta frase dita por um fazendeiro da região de Tibagi na época, quando soube que os índios Caingangues planejavam atacar um de seus vizinhos. Localizado no cânion do Rio Iapó, o sexto maior em extensão do mundo, o Guartelá já fora lugar de passagem de índios, tropeiros, mineradores e jesuítas. Hoje, é um lugar seguro e tranqüilo, visitado por turistas que buscam bosques, cachoeiras, trilhas, grutas, descanso e contemplação.
Criado em 1992, com o objetivo de proteger o ecossistema local, o Parque Estadual do Guartelá possui inúmeros atrativos naturais, configurados nas belas paisagens e formações rochosas. Com a companhia obrigatória de um guia (fornecido pelo parque), é possível tomar banho nos Panelões do Sumidouro, visualizar inscrições rupestres e se deslumbrar com a imensidão do cânion nos mirantes do parque. Um dos visuais mais bonitos do lugar é a cachoeira da Ponte de Pedra, com quase 200 metros de altura. No meio da queda, o arroio do Pedregulho atravessa a rocha, formando uma verdadeira ponte de pedra natural.

Ponte de Pedra
Como a estrutura rochosa do Guartelá é basicamente arenítica, muito sensível a erosão, vários pontos antes abertos ao turista foram interditados, limitando as atrações do parque na tentativa de evitar a degradação. Já não é possível, por exemplo, conhecer o fim da queda do arroio Pedregulho, que desemboca no Iapó, ou se aproximar da Ponte de Pedra. Essas restrições são agravadas com a falta de funcionários fixos no local. Gelson de Oliveira, conhecido como Baiano, é o único guarde-parque do Guartelá que trabalha fora de temporada. “Nos finais de semana contamos com a ajuda de quatro ou cinco voluntários. Mas mesmo assim não é suficiente”. Quando a área de preservação foi criada, passava pela portaria do parque uma média de 500 pessoas por final de semana. Hoje esse número está diminuindo.

Curiosas formações rochosas na região do Guartelá
Enquanto o Parque Guartelá é procurado pelo turismo contemplativo de apenas um dia, pousadas e fazendas adjacentes estão investindo em roteiros alternativos, opções de aventura e infra-estrutura para que o visitante fique mais tempo na região. Um exemplo é a Reserva Ecológica Itaytyba, propriedade particular localizada no outro lado do cânion, em uma área de 1090 hectares ao longo da margem direita do Iapó. O complexo ecoturístico rural conta com uma infra-estrutura para grandes grupos e eventos, além de diversas opções de lazer, gastronomia, atividades culturais e programas ambientais. Dentro da reserva, chama atenção o Recanto Paleontológico Prof. Olavo Soares que reúne um acervo com preciosas informações sobre os dinossauros, fósseis, cristais, minerais e rochas, oriundos de diferentes regiões.

Cachoeira próximo a reserva de Itaytyba
Outra estância interessante da região é a Fazenda São Damásio, com acesso pelo Km 38 da Rodovia Tibagi – Castro (PR-340). Antiga propriedade escravocrata, a fazenda guarda paredões abruptos do Cânion Guartelá, além de vários arenitos que despontam pelos campos ao redor. A paisagem deslumbrante e primitiva do local já foi cenário para diversos documentários, entre eles o filme “Preço da Paz”, de Paulo Morelli, que conta a história da Revolução Federalista brasileira. Para chegar até aos mirantes naturais, o visitante tem que atravessar quase uma dezena de porteiras entre capões de mata nativa, lavouras e pastagens. Frederico Zens, proprietário da fazenda, só faz uma exigência para quem quer conhecer o local. “Não esqueçam de fechar as porteiras, senão o gado vai pro brejo”.









